sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Política Fácil - Eleições majoritárias

Bom dia.  Vamos agora para as eleições majoritárias.
O que é eleição majoritária?  É aquela para Prefeito, Governador, Presidente e Senador, onde apenas os votos ao candidato é que conta e normalmente temos apenas um eleito.  A exceção fica por conta do Senado onde a cada 8 oito, são eleitos 2 Senadores (são 3 por Estado).  Nessa situação é importante destacar que votamos em 2 Senadores e os dois mais votados é que vencem.

Para as eleições majoritárias existem duas situações:
1 - Municípios com menos de 200 mil eleitores - Não há segundo turno;
2 - Municípios com mais de 200 mil eleitores - Pode haver segundo turno.

Na situação 1, simplesmente o candidato com mais votos, vence a eleição.  Lembrando dos posts anteriores, brancos, nulos e abstenções são simplesmente ignorados.  Não existe exigência de votação mínima.
Vou continuar com os bichos e mostrar na prática (vamos usar números bem pequenos, uma cidade com apenas 100 eleitores):
Cachorro - 20 votos
Jacaré - 19 votos
Coruja - 18 votos
Brancos, nulos e abstenções - 43 votos

O cachorro venceu.  Simples assim.  E os 43 votos?  Perderam-se.

Na situação 2, um candidato precisa ganhar mais de 50% dos votos válidos.  Isso pode ocorrer no primeiro turno e nesse caso não haverá segundo turno.  No segundo turno, considerando que a conta considera somente votos válidos, alguém vai chegar a esse percentual de qualquer modo.
Vamos ao exemplo prático, agora considerando uma cidade com mais de 200 mil eleitores, mas para facilitar as contas vamos usar apenas 100.

SITUAÇÃO 1
Gato - 35 votos
Tartaruga - 20 votos
Canário - 10 votos
Brancos, nulos e abstenções - 35 votos

Nessa situação, o total de votos válidos foi de 65, portanto, o GATO teve 53% dos votos válidos e portanto está eleito.

SITUAÇÃO 2
Agora vamos retirar 10 votos dos brancos, nulos e abstenções, colocando mais 5 para o Canário e incluindo um novo candidato com 5 votos:
Gato - 35 votos
Tartaruga - 20 votos
Canário - 15 votos
Camarão - 5 votos
Brancos, nulos e abstenções - 25 votos

Nessa situação, tivemos um total de 75 votos válidos, assim, o gato obteve 46% dos votos válido e portanto, teremos SEGUNDO TURNO.

Agora vamos usar um trocadilho infame e dizer que o GATO é um GATUNO.  Ao votar nulo, você não protesta nada, apenas facilita a vida do gatuno, que consegue eleger-se mais facilmente.  Temos que lembrar que todos os candidatos possuem apoios incondicionais, alguns mais, outros menos.  O pessoal do partido por exemplo, com raras exceções votará no candidato do partido.  Se as pessoas não afiliadas votarem nulo, ganhará o partido com mais filiados.

Fora isso tem as pessoas alienadas e as pessoas que votam sempre no mesmo.  Sabem que o candidato não é bom, mas é conhecido, então votam nele.

Podemos ilustrar o absurdo disso imaginando que você esteja numa sala fechada e cujas paredes estão se aproximando e logo vão te espremer.  Abrem duas portas, uma com um famoso bandido e outra com um desconhecido, ambas dizem siga-me.  Você vai aonde?
Eu honestamente prefiro o "duvidoso" do que o "errado".



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Política fácil - eleições proporcionais - parte III - votos nulos, brancos, abstenções

Até agora eu não havia falado de votos brancos, nulos e abstenções, mas como "elegemos" os 10 candidatos sem considerar esses votos?
Porque eles efetivamente não fazem diferença no cálculo!  Isso mesmo!  Eles não contam.  Nulos e brancos são exatamente iguais.  Abstenção é quando você não vota, justifica ou simplesmente não vai.  Também tem o mesmo peso.  É tudo igual!  Se não acredita, leia atentamente o Código Eleitoral já citado e verá que é verdade.

O que vou fazer agora é "modificar" na nossa simulação anterior, os votos nulos.  Vamos supor que tínhamos 300 votos nulos e vou distribuí-los aos candidatos e ainda acrescentar 1 partido novo, CRUSTÁCEO e alguns candidatos.  Vou considerar ainda que esses 300 nulos eram de pessoas cansadas dos mesmos e que se recusam a votar nos "de sempre", então esses 300 nulos vou passar para candidatos menores e os novos, ou seja, nada de Vaca, Galinha ou Jacaré.

Segue a nova tabela, mas para ficar menos extenso, diretamente em ordem de votos:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos
08) Coruja - Ave - 65 votos
09) Canário - Ave - 60 votos
10) Cobra - Réptil - 55 votos
11) Bagre - Peixe - 50 votos
12) Salamandra - Réptil - 42 votos
13) Formiga - Inseto - 41 votos
14) Lambari - Peixe - 39 votos
15) Lagarto - Réptil - 38 votos
16) Cachorro - Mamífero - 30 votos
17) Pardal - Ave - 29 votos
18) Ornitorrinco - Mamífero - 27 votos
19) Camarão - Crustáceo - 26 votos
20) Burro - Mamífero - 25 votos
21) Mosca - Inseto - 13 votos
22) Salmão - Peixe - 12 votos

Nesse novo cenário, o resultado ficou da seguinte maneira:
Na primeira etapa, ao invés de 8 agora temos apenas 7, ou seja, já percebemos que ficou mais DIFÍCIL, entrar.  Vamos à lista:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos

As 3 vagas que sobraram acabaram ficando 1 para AVE, depois 1 MAMÍFERO e novamente 1 AVE, ficando assim:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos
08) Coruja - Ave - 65 votos
09) Canário - Ave - 60 votos
16) Cachorro - Mamífero - 30 votos

Observem que o "efeito VACA" foi menor, só o cachorro entrou e olha que o Burro ganhou mais votos do que na simulação anterior, mas com menos nulos, a quantidade necessária para eleger-se aumentou.  Ficamos com um resultado mais "justo".
Desculpem o trocadilho, mas a VACA ganha votos pelo efeito manada e pelo efeito "tradição", quer dizer, todo mundo conhece a vaca e na dúvida vota nela.  Infelizmente isso acontece muito.  
Se as pessoas que querem mudanças começarem a votar nulo cada vez em maior quantidade, não teremos uma sinalização de protesto e sim a facilitação do continuísmo.  Vamos imaginar uma campanha de votos nulos crescendo nas redes sociais.  O partido MAMÍFERO observa isso e fica preocupado?  De modo algum, ele percebe que precisa lançar mais um candidato.  Estranho? Não, matemático! Para ficar bem claro, ele vai lançar o Morcego, que é mamífero e alguns chupam sangue(escolhi de propósito).
Nessa nova simulação vou voltar esses 300 nulos e anular mais 300, ou seja, ficaremos apenas com 700 votos válidos e a inclusão do morcego.  Esses 600 votos que tenho que tirar vou retirar mais ou menos equitativamente de todos os candidatos, mas em menor escala dos tradicionais.
Vamos ao resultado:
Class Nome Partido Votos
01) Vaca Mamífero 146
02) Galinha Ave 58
03) Jacaré Réptil 53
04) Arara Ave 41
05) Abelha Inseto 40
06) Tartaruga Réptil 39
07) Gato Mamífero 38
08) Coruja Ave 36
09) Canário Ave 31
10) Cobra Réptil 27
11) Bagre Peixe 26
12) Salamandra Réptil 22
13) Formiga Inseto 18
14) Lambari Peixe 17
15) Lagarto Réptil 16
16) Cachorro Mamífero 15
17) Pardal Ave 14
18) Ornitorrinco Mamífero 13
19) Camarão Crustáceo 12
20) Burro Mamífero 11
21) Mosca Inseto 10
22) Morcego Mamífero 10
23) Salmão Peixe 7

Pois bem.  As vagas inicialmente ficaram da seguinte forma: 3 MAMÍFERO, 2 AVE e 2 RÉPTIL.  Acabou também ficando em 7 o que pode parecer que também tornou mais "difícil" como quando diminuímos os nulos, mas a questão aqui foi outro efeito, bem negativo:  O partido INSETO ficou sem vaga.  Isso mesmo, a abelha, 5ª colocada está de fora.  Lembro que nossos dois candidatos que consideramos como sendo os melhores eram a Abelha e a Coruja.  A abelha foi eliminada!  Se apenas 3 pessoas daquelas 600 que votaram nulo tivessem votado na Abelha, ela entraria.
Vamos à tabela então:
01) Vaca - Mamífero - 146 votos
02) Galinha - Ave - 58 votos
03) Jacaré - Réptil - 53 votos
04) Arara - Ave - 41 votos
06) Tartaruga - Réptil - 39 votos
07) Gato - Mamífero - 38 votos
08) Coruja - Ave - 36 votos

E as remanescentes ficaram primeiramente mais uma para AVE, outra para MAMÍFERO e por fim a última para RÉPTIL.  O resultado final então foi:
01) Vaca - Mamífero - 146 votos
02) Galinha - Ave - 58 votos
03) Jacaré - Réptil - 53 votos
04) Arara - Ave - 41 votos
06) Tartaruga - Réptil - 39 votos
07) Gato - Mamífero - 38 votos
08) Coruja - Ave - 36 votos
09) Canário - Ave - 31 votos
16) Cachorro - Mamífero - 15 votos
10) Cobra - Réptil - 27 votos

No fim das contas, o morcego não entrou, nem o burro, mas percebem que tivemos um candidato eleito com apenas 15 votos?  Isso representa apenas 1,15% do eleitorado.  Na simulação anterior, ele tinha o dobro!
Agora pergunto: Valeu a pena anular?  Deixar a abelha de fora e os MAMÍFEROS continuarem a dominar ao lado das AVES?  Não teria sido talvez mais interessante votar em um CRUSTÁCEO ou num PEIXE ou melhor ainda, porque não na Abelha??
Quero apresentar o resumo da composição e depois comparar como seria se abelha tivesse ganho 3 votos a mais:
AVE - 4 cadeiras
MAMÍFERO - 3 cadeiras
RÉPTIL - 3 cadeiras

Transferindo 3 nulos para a abelha, os INSETOS fariam o índice mínimo para serem elegíveis, com isso a Abelha assumiria e eliminaríamos a Cobra.  A distribuição dos partidos ficaria:
AVE - 4 cadeiras
INSETO - 1 cadeira
MAMÍFERO - 3 cadeiras
RÉPTIL - 2 cadeiras



Política fácil - eleições proporcionais - parte II

Continuando o post anterior, vamos verificar agora como ficaram as duas outras vagas.
Para as vagas remanescentes, as regras constam no artigo 109 da lei federal 4.737/1965.
Infelizmente essa próxima etapa é bastante complexa e é pura matemática, mas vamos lá.  Para os cálculos utilizo uma planilha eletrônica que irei publicar quando estiver com ela mais "apresentável" e fácil de usar.  Não vou colocar todos os cálculos aqui pois a ideia agora é mostrar como funciona. Quem tiver interesse, com a planilha em mãos poderá fazer simulações e entender melhor.

1-Divide-se o total de votos do partido pelo seu QP+1.  Isso trará uma média para cada partido.  Quem tiver a maior média, leva uma vaga.  No nosso caso, a próxima vaga ficou para AVE.
2-Como temos mais vagas para distribuir, atualizamos o quantitativo do partido que ganhou a nova vaga e repetimos o cálculo.  A próxima vaga iria para INSETO até a eleição passada, mas com a mudança da lei em 2015, os insetos foram eliminados pois é necessário que o QP seja superior a 1. Se essa mudança é boa ou ruim é uma outra discussão, o fato matemático que podemos apurar com essa mudança é que partido pequenos passam a ter menos chance de colocar representante no legislativo, especialmente em cidades pequenas, com menos vagas na câmara de vereadores.
3-Como o INSETO não pode pegar a vaga, quem ganha então é MAMÍFERO.
Portanto, atualizando nossa tabela ficamos com os seguintes eleitos:

01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
05) Tartaruga - Réptil - 80 votos
06) Arara - Ave - 75 votos
07) Gato - Mamífero -70 votos
10) Cobra - Réptil - 45 votos
14) Cachorro - Mamífero - 20 votos
08) Canário - Ave - 50 votos
15) Burro - Mamífero - 15 votos

Observem que graças à VACA, o BURRO entrou.
Mesmo que você não consiga entender o mecanismo todo, mas é importante ter a noção de causa e efeito, ou seja, às vezes você pode votar na VACA e eleger o BURRO.  
Nesse aspecto tem um fator bastante importante: o poder da VACA no processo.  O burro e o cachorro também, não se elegeriam se não fosse a vaca, ou seja, informalmente ela manda nos dois.  Percebem?

Como estamos falando de bichos, sem nenhum nome que remeta a ninguém, quero acrescentar que os melhores candidatos nessa eleição eram a ABELHA e a CORUJA, mas mesmo sendo a quarta e a nona mais votada respectivamente, não se elegeram.  A abelha porque o partido dela foi "eliminado", e a coruja foi empurrada para fora da zona de vagas pelo cachorro e pelo burro.

Vou escrever mais um pouco, mas farei outro post, para "dividir" a leitura.





segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Política fácil - eleições proporcionais

Começo hoje uma sequência de posts relacionados à política, pensando nas eleições deste ano.  Não farei qualquer propaganda de candidato algum, a ideia é ajudar no entendimento do funcionamento eleitoral e político, trazendo assim mais bagagem para as decisões.

Primeiramente, você sabe o que são eleições proporcionais e logo depois, como elas funcionam?
Eleições proporcionais, no Brasil, ocorrem para eleger vereadores, deputados estaduais e deputados federais.  Já ouviu falar de algum caso de algum candidato que teve X votos, mas outro com menos votos é que "ganhou" a eleição.  Isso ocorre pelas regras da eleição proporcional, as quais veremos na sequência.

Caso queira conferir as informações aqui colocadas, busque a lei federal 4.737/1965, chamado também de Código Eleitoral.  Observe apenas se está atualizado, ou seja, com as alterações que ocorreram nesses mais de 50 anos.

O ponto central e inicial da eleição proporcional é o chamado quociente eleitoral.  Como ele é calculado?
Divide-se o número de vagas que estão em disputa, pela quantidade de votos válidos(farei um post sobre votos válidos outro dia).
Exemplo: Se uma Câmara Municipal tem 10 vagas em disputa e temos um total de 1000 votos válidos, o quociente eleitoral será 10/1000, ou seja, 0,01

O próximo ponto é chamado de quociente partidário, ou seja, quantas vagas cada partido irá ganhar.  Para isso, somam-se os votos de todos os candidatos e votos de legenda(somente no partido) e divide-se pelo quociente eleitoral.
Exemplo: Para o exemplo, usarei animais e sua classificação como sendo o "partido"
Abelha - Inseto - 80 votos
Arara - Ave - 75 votos
Bagre - Peixe - 40 votos
Burro - Mamífero - 15 votos
Coruja - Ave - 45 votos
Cachorro - Mamífero - 20 votos
Canário - Ave - 50 votos
Cobra - Réptil - 45 votos
Galinha - Ave - 110 votos
Gato - Mamífero - 70 votos
Jacaré - Réptil - 100 votos
Lagarto - Réptil - 35 votos
Salamandra - Réptil - 40 votos
Vaca - Mamífero - 200 votos
Tartaruga - Réptil - 80 votos

Se simplesmente colocarmos na ordem de quantidade de votos, ficará  assim:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Abelha - Inseto - 80 votos
05) Tartaruga - Réptil - 80 votos
06) Arara - Ave - 75 votos
07) Gato - Mamífero -70 votos
08) Canário - Ave - 50 votos
09) Coruja - Ave - 45 votos
10) Cobra - Réptil - 45 votos
11) Salamandra - Réptil - 40 votos
12) Bagre - Peixe - 40 votos
13) Lagarto - Réptil - 35 votos
14) Cachorro - Mamífero - 20 votos
15) Burro - Mamífero - 15 votos

Poderíamos pensar que os 10 primeiros iriam ser eleitos, mas na eleição proporcional não é assim.  Vamos ver o quociente partidário(QP) conforme falamos antes:
AVES              => 280 votos => QP => 2,8
INSETOS        =>  80 votos => QP => 0,8
MAMÍFEROS => 300 votos => QP => 3,0
RÉPTEIS         =>  300 votos => QP => 3,0
PEIXES           => 40 votos => QP => 0,4

No primeiro momento, a parte inteira do QP define quantos candidatos cada partido irá eleger, portanto, AVES 2, MAMÍFEROS 3 e RÉPTEIS 3.  Sobraram 2 vagas, certo?  Vamos listar os primeiros eleitos e as duas vagas que sobraram ficarão para o próximo post.

01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
05) Tartaruga - Réptil - 80 votos
06) Arara - Ave - 75 votos
07) Gato - Mamífero -70 votos
10) Cobra - Réptil - 45 votos
14) Cachorro - Mamífero - 20 votos

Mantive a ordem inicial nessa tabela propositalmente.  Percebem o Cachorro?  Ele está eleito! E a abelha? Será que ainda consegue uma vaga? Veremos no próximo post.

Se ficou com alguma dúvida nesta primeira parte, coloque no comentário que responderei.



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Ensaio sobre a ignorância

Texto bem curto hoje.
Ignorância não é não ter conhecimento, é não querer tê-lo e ainda achar que está certo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Outra visão do impeachment

Acabo de ver algumas matérias sobre o impeachment, mas não vou nem defender nem condenar a Dilma.
Qualquer coisa que eu escrevesse condenando ou defendendo cairia no senso-comum, ou seja, já foi escrito por alguém e todo mundo sabe.
Aliás, sempre tem gente falando bobagem, mas muitos discursos que ouvi, tanto pró como contra foram interessantes e poderia até dar razão a todos eles, o que poderia parecer contraditório, mas não é, porém, não é sobre isso que quero escrever.
Quero fazer um apontamento diferente, que acho que ninguém fez.  Não é para resolver nada para agora, mas para pensar no futuro, especialmente no nosso modelo de Senado.
Roraima que me perdoe, nada tenho contra eles, mas por razões que a Matemática explica, será o Estado a ser usado como exemplo e argumento.
Bem, eu sempre soube que Roraima era um Estado com baixa densidade demográfica, mas nunca havia prestado atenção o quão pequena é sua população absoluta.  A população de Roraima é menor do que a cidade onde vivo!  E olhe que há centenas de cidades maiores espalhadas pelo País.
E isso me fez pensar, em virtude principalmente do impeachment, mas serve para todo o resto.

Vamos aos números: Roraima contribuiu com 0,25% na hora de eleger a Presidente, mas agora contribuirá com 3,7% na hora de destituir.  Isso está constitucionalmente correto, mas será que esse modelo é realmente o melhor?  Quero dizer, a influência do Estado ficou 15 vezes maior agora do que há 2 anos atrás.

Se alguém porventura não sabe, mas o Senado representa equitativamente os Estados dentro da Federação, mas será que essa equidade é o melhor caminho?

Falo dessa questão de representatividade como alguém que já morou em cidade com 2.500 habitantes na época (hoje está com algo em torno de 5.000) e cidade com mais de 1 milhão e meio de habitantes e todas elas tiveram e têm seus valores.  Eu não conseguiria imaginar por exemplo, caso houvesse uma casa parlamentar Estadual nos moldes do Senado, o que faria um parlamentar da cidade de 2.500 habitantes, quero dizer, claro que ele "defenderia" a sua cidade, mas não faria sentido algum, principalmente do ponto de vista econômico.

Novamente nada contra as pessoas de determinada região, mas na mesma linha de pensamento, sempre achei a cidade que morei em 1987 minúscula para um município, mas vejo nos dias atuais cidades com menos de 1000 habitantes.  Isso é mesmo necessário, produtivo e coerente?  Em regiões afastadas e remotas, talvez até sim, mas no Estado de São Paulo?  Entre as 19 menores aparecem três cidades do Estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, mais duas de Santa Catarina, três do Rio Grande do Sul e ainda uma do Paraná.  Isso é viável???

Sabiam que existem diversos projetos para a criação de novos Estados?  Serão Estados ainda menores?  Claro, existem situações e situações.  Tocantins por exemplo, nosso Estado mais novo tem o triplo da população de Roraima, o dobro do Acre e do Amapá.  Agora vou mais longe, será que o nosso menor Estado não deveria ser o Tocantins?  Economizaríamos nove Senadores...

Por hoje é só.

sábado, 2 de julho de 2016

Retrospectiva bancária

Agora pouco comecei a lembrar como eram as coisas em relação aos bancos e pensei: Porque apenas escrever críticas aqui.  Decidi escrever algo diferente. Vou contar a história dos bancos, ou melhor, a minha história com os bancos.

1983 - Adorava ir ao banco com meu pai.  Enquanto ele resolvia as coisas, eu sentava ao lado da garrafa de café e tomava um atrás do outro.  Não sei os outros bancos, mas na época o Banespa disponibilizava café aos clientes e era um ótimo café.  Criei para mim mesmo a expressão "café de banco" cujo significado era café de boa qualidade.
Lembro-me bem também de outra coisa que me chamava muito a atenção: Haviam diversos vigilantes no banco, sempre dentro de uma guarita, a princípio a prova de bala.  Na época não existiam detectores de metal, então, era preciso tomar outras medidas.  Assim, eram diversos vigilantes estrategicamente distribuídos e protegidos.  Em caso de tiroteio, apenas os clientes ficariam vulneráveis.  Ainda hoje tem gente que reclama das portas detectoras de metais....

1991 - Não sei quando o cartão magnético passou a ser usado no Brasil, mas por mim, foi nesse ano, em Santo Amaro da Imperatriz.  Claro que o cartão não era meu, pois eu tinha apenas 14 anos. Morávamos longe do banco e normalmente minha mãe passava no banco quando ia ou voltava do trabalho, mas quando ela esquecia e precisava de algo urgente, lá ia eu com minha bicicleta e o cartão dela.  Importante destacar que eu "largava" a bicicleta na frente do banco, sem cadeado, sem nada.

1993 - Nesse ano, o que me marcou foram as filas.  Nessa época eu prestava serviço para um escritório de advocacia que me pagava com cheque.  Eu pegava o cheque, ia até a agência do Besc da Tenente Silveira em Florianópolis e escolhia uma fila. Não lembro qual era o critério, mas existiam várias filas, acho que conforme o número da conta do correntista, lembro apenas que eu podia escolher qualquer uma.  Então eu contava, uma com 20, outra com 30, e por aí vai.  E aí eu passava o resto da tarde.

1996 - Embalado pelo slogan "O tempo passa o tempo voa..." abri uma caderneta de poupança.  O slogan acabou reduzido ao que escrevi.  (quem viveu lembrará).

1997 - Fui "descartado" por um banco pela primeira vez. Fui tratado como um ser inferior, pelo fato de ter apenas 20 anos.  Pior para eles, não vou citar o nome aqui, mas ainda lembro de nunca ser cliente deles.  (se as pessoas fizessem isso um pouquinho mais, as empresas respeitariam os clientes com certeza).  Nesse ano passei a usar intensamente os caixas eletrônicos.  Na verdade, por conta do "descarte" sofrido eu precisava usar o cartão do meu irmão e somente o caixa eletrônico não pedia identidade.  Como isso limitava o valor do saque e eu precisava cumprir com diversas obrigações, passava a semana inteira indo ao banco. (claro que eu só podia alimentar o ódio que eu tinha deles por conta dessa situação)

2001 - Fui "descartado" novamente, agora como Pessoa Jurídica. Dois bancos simplesmente não me aceitaram.  Um deu a desculpa esfarrapada que naquele mês não estavam abrindo conta PJ e o outro alegou só abrir para empresas com mais de 5 anos.  Oras, porque eu acharia um banco para me atender por 5 anos e depois voltar lá?  NUNCA.

2001 - 2008 - Foi um período onde usei intensamente cheques para fazer depósitos.  Eu tinha diversos fornecedores espalhados pelo Paraná e Santa Catarina, mas absolutamente nenhum tinha conta no mesmo banco que eu.  Não lembro quando isso começou exatamente, mas nessa época havia uma forte "campanha" nos bancos para que as pessoas usassem o caixa eletrônico.  Eu obviamente só usava o caixa eletrônico, mas havia situações em que por algum motivo específico eu precisava ir no caixa convencional.  Claro que isso não era fácil.  Eu olhava em volta para ver se ninguém estava olhando e tentava entrar no banco, mas surgia alguém do além e se enfiava no meio do caminho para perguntar o que eu ia fazer.  Isso me irritava de um jeito.... Cheguei até a dizer que se eu estava tentando entrar no banco é porque eu realmente precisava ir no caixa normal, que eu não abriria mão dos caixas vazios para enfrentar aquela fila gigante lá dentro.  O problema é que eu é que era o estranho no ninho.  As pessoas realmente deixavam o caixa eletrônico de lado para pegar a fila gigante.  Espere um pouco, voltando um pouco no tempo, eu usava caixa eletrônico há no mínimo 4 anos e tinha que me justificar quando ia ao caixa convencional?  Deveria ser uma piada, mas não é.

2009 - Abri minha primeira conta pela internet.  É verdade que deu mais trabalho do que o meio tradicional, mas foi uma inovação.  Na verdade abri três contas pois o sistema dava erro, mas processava, então depois de 3 tentativas que achei ter sido frustradas, desisti da inovação.  Depois tive de escolher o número mais simpático e descartar as outras duas.

Infelizmente não faço ideia de quando comecei a usar o Internet Banking, lembro apenas que foi antes de 2009 pois nesse ano fui obrigado a trocar de banco e eu gostava muito do Internet Banking do banco anterior.

Hoje, não há mais café, não há mais guaritas de vigilantes, nem cheques e até as filas estão menores e ainda aguardamos sentados no caso de caixa convencional.  Ficou a "fila da ajuda", na maioria das vezes frequentada por pessoas de idade o que indicaria uma extinção natural dessa fila, no entanto, não e tão difícil assim achar gente nova nessas filas, portanto, estou achando que elas durarão para sempre....
Ah, agora tem a porta giratória, com a qual muita gente ainda bronqueia.  Acho que as pessoas prefeririam estar em meio a um tiroteio do que ter um pequeno trabalho com guarda de objetos. Uma única vez vi alguém ser barrado e elogiar o vigilante e a porta.  O mesmo tirou uma faca do bolso e disse que em nenhum outro banco teve problemas para entrar e ele sempre carrega aquela faca. Como ele mesmo disse, se ele entrava com a faca, bandidos também podem entrar.
Eu particularmente, fico contente de que a minha agência é a que barra as facas.  (aliás, quando tenho muitas moedas também, mas e daí?)