quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Outra visão do impeachment

Acabo de ver algumas matérias sobre o impeachment, mas não vou nem defender nem condenar a Dilma.
Qualquer coisa que eu escrevesse condenando ou defendendo cairia no senso-comum, ou seja, já foi escrito por alguém e todo mundo sabe.
Aliás, sempre tem gente falando bobagem, mas muitos discursos que ouvi, tanto pró como contra foram interessantes e poderia até dar razão a todos eles, o que poderia parecer contraditório, mas não é, porém, não é sobre isso que quero escrever.
Quero fazer um apontamento diferente, que acho que ninguém fez.  Não é para resolver nada para agora, mas para pensar no futuro, especialmente no nosso modelo de Senado.
Roraima que me perdoe, nada tenho contra eles, mas por razões que a Matemática explica, será o Estado a ser usado como exemplo e argumento.
Bem, eu sempre soube que Roraima era um Estado com baixa densidade demográfica, mas nunca havia prestado atenção o quão pequena é sua população absoluta.  A população de Roraima é menor do que a cidade onde vivo!  E olhe que há centenas de cidades maiores espalhadas pelo País.
E isso me fez pensar, em virtude principalmente do impeachment, mas serve para todo o resto.

Vamos aos números: Roraima contribuiu com 0,25% na hora de eleger a Presidente, mas agora contribuirá com 3,7% na hora de destituir.  Isso está constitucionalmente correto, mas será que esse modelo é realmente o melhor?  Quero dizer, a influência do Estado ficou 15 vezes maior agora do que há 2 anos atrás.

Se alguém porventura não sabe, mas o Senado representa equitativamente os Estados dentro da Federação, mas será que essa equidade é o melhor caminho?

Falo dessa questão de representatividade como alguém que já morou em cidade com 2.500 habitantes na época (hoje está com algo em torno de 5.000) e cidade com mais de 1 milhão e meio de habitantes e todas elas tiveram e têm seus valores.  Eu não conseguiria imaginar por exemplo, caso houvesse uma casa parlamentar Estadual nos moldes do Senado, o que faria um parlamentar da cidade de 2.500 habitantes, quero dizer, claro que ele "defenderia" a sua cidade, mas não faria sentido algum, principalmente do ponto de vista econômico.

Novamente nada contra as pessoas de determinada região, mas na mesma linha de pensamento, sempre achei a cidade que morei em 1987 minúscula para um município, mas vejo nos dias atuais cidades com menos de 1000 habitantes.  Isso é mesmo necessário, produtivo e coerente?  Em regiões afastadas e remotas, talvez até sim, mas no Estado de São Paulo?  Entre as 19 menores aparecem três cidades do Estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, mais duas de Santa Catarina, três do Rio Grande do Sul e ainda uma do Paraná.  Isso é viável???

Sabiam que existem diversos projetos para a criação de novos Estados?  Serão Estados ainda menores?  Claro, existem situações e situações.  Tocantins por exemplo, nosso Estado mais novo tem o triplo da população de Roraima, o dobro do Acre e do Amapá.  Agora vou mais longe, será que o nosso menor Estado não deveria ser o Tocantins?  Economizaríamos nove Senadores...

Por hoje é só.

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