quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Política fácil - eleições proporcionais - parte II

Continuando o post anterior, vamos verificar agora como ficaram as duas outras vagas.
Para as vagas remanescentes, as regras constam no artigo 109 da lei federal 4.737/1965.
Infelizmente essa próxima etapa é bastante complexa e é pura matemática, mas vamos lá.  Para os cálculos utilizo uma planilha eletrônica que irei publicar quando estiver com ela mais "apresentável" e fácil de usar.  Não vou colocar todos os cálculos aqui pois a ideia agora é mostrar como funciona. Quem tiver interesse, com a planilha em mãos poderá fazer simulações e entender melhor.

1-Divide-se o total de votos do partido pelo seu QP+1.  Isso trará uma média para cada partido.  Quem tiver a maior média, leva uma vaga.  No nosso caso, a próxima vaga ficou para AVE.
2-Como temos mais vagas para distribuir, atualizamos o quantitativo do partido que ganhou a nova vaga e repetimos o cálculo.  A próxima vaga iria para INSETO até a eleição passada, mas com a mudança da lei em 2015, os insetos foram eliminados pois é necessário que o QP seja superior a 1. Se essa mudança é boa ou ruim é uma outra discussão, o fato matemático que podemos apurar com essa mudança é que partido pequenos passam a ter menos chance de colocar representante no legislativo, especialmente em cidades pequenas, com menos vagas na câmara de vereadores.
3-Como o INSETO não pode pegar a vaga, quem ganha então é MAMÍFERO.
Portanto, atualizando nossa tabela ficamos com os seguintes eleitos:

01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
05) Tartaruga - Réptil - 80 votos
06) Arara - Ave - 75 votos
07) Gato - Mamífero -70 votos
10) Cobra - Réptil - 45 votos
14) Cachorro - Mamífero - 20 votos
08) Canário - Ave - 50 votos
15) Burro - Mamífero - 15 votos

Observem que graças à VACA, o BURRO entrou.
Mesmo que você não consiga entender o mecanismo todo, mas é importante ter a noção de causa e efeito, ou seja, às vezes você pode votar na VACA e eleger o BURRO.  
Nesse aspecto tem um fator bastante importante: o poder da VACA no processo.  O burro e o cachorro também, não se elegeriam se não fosse a vaca, ou seja, informalmente ela manda nos dois.  Percebem?

Como estamos falando de bichos, sem nenhum nome que remeta a ninguém, quero acrescentar que os melhores candidatos nessa eleição eram a ABELHA e a CORUJA, mas mesmo sendo a quarta e a nona mais votada respectivamente, não se elegeram.  A abelha porque o partido dela foi "eliminado", e a coruja foi empurrada para fora da zona de vagas pelo cachorro e pelo burro.

Vou escrever mais um pouco, mas farei outro post, para "dividir" a leitura.





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