Agora pouco comecei a lembrar como eram as coisas em relação aos bancos e pensei: Porque apenas escrever críticas aqui. Decidi escrever algo diferente. Vou contar a história dos bancos, ou melhor, a minha história com os bancos.
1983 - Adorava ir ao banco com meu pai. Enquanto ele resolvia as coisas, eu sentava ao lado da garrafa de café e tomava um atrás do outro. Não sei os outros bancos, mas na época o Banespa disponibilizava café aos clientes e era um ótimo café. Criei para mim mesmo a expressão "café de banco" cujo significado era café de boa qualidade.
Lembro-me bem também de outra coisa que me chamava muito a atenção: Haviam diversos vigilantes no banco, sempre dentro de uma guarita, a princípio a prova de bala. Na época não existiam detectores de metal, então, era preciso tomar outras medidas. Assim, eram diversos vigilantes estrategicamente distribuídos e protegidos. Em caso de tiroteio, apenas os clientes ficariam vulneráveis. Ainda hoje tem gente que reclama das portas detectoras de metais....
1991 - Não sei quando o cartão magnético passou a ser usado no Brasil, mas por mim, foi nesse ano, em Santo Amaro da Imperatriz. Claro que o cartão não era meu, pois eu tinha apenas 14 anos. Morávamos longe do banco e normalmente minha mãe passava no banco quando ia ou voltava do trabalho, mas quando ela esquecia e precisava de algo urgente, lá ia eu com minha bicicleta e o cartão dela. Importante destacar que eu "largava" a bicicleta na frente do banco, sem cadeado, sem nada.
1993 - Nesse ano, o que me marcou foram as filas. Nessa época eu prestava serviço para um escritório de advocacia que me pagava com cheque. Eu pegava o cheque, ia até a agência do Besc da Tenente Silveira em Florianópolis e escolhia uma fila. Não lembro qual era o critério, mas existiam várias filas, acho que conforme o número da conta do correntista, lembro apenas que eu podia escolher qualquer uma. Então eu contava, uma com 20, outra com 30, e por aí vai. E aí eu passava o resto da tarde.
1996 - Embalado pelo slogan "O tempo passa o tempo voa..." abri uma caderneta de poupança. O slogan acabou reduzido ao que escrevi. (quem viveu lembrará).
1997 - Fui "descartado" por um banco pela primeira vez. Fui tratado como um ser inferior, pelo fato de ter apenas 20 anos. Pior para eles, não vou citar o nome aqui, mas ainda lembro de nunca ser cliente deles. (se as pessoas fizessem isso um pouquinho mais, as empresas respeitariam os clientes com certeza). Nesse ano passei a usar intensamente os caixas eletrônicos. Na verdade, por conta do "descarte" sofrido eu precisava usar o cartão do meu irmão e somente o caixa eletrônico não pedia identidade. Como isso limitava o valor do saque e eu precisava cumprir com diversas obrigações, passava a semana inteira indo ao banco. (claro que eu só podia alimentar o ódio que eu tinha deles por conta dessa situação)
2001 - Fui "descartado" novamente, agora como Pessoa Jurídica. Dois bancos simplesmente não me aceitaram. Um deu a desculpa esfarrapada que naquele mês não estavam abrindo conta PJ e o outro alegou só abrir para empresas com mais de 5 anos. Oras, porque eu acharia um banco para me atender por 5 anos e depois voltar lá? NUNCA.
2001 - 2008 - Foi um período onde usei intensamente cheques para fazer depósitos. Eu tinha diversos fornecedores espalhados pelo Paraná e Santa Catarina, mas absolutamente nenhum tinha conta no mesmo banco que eu. Não lembro quando isso começou exatamente, mas nessa época havia uma forte "campanha" nos bancos para que as pessoas usassem o caixa eletrônico. Eu obviamente só usava o caixa eletrônico, mas havia situações em que por algum motivo específico eu precisava ir no caixa convencional. Claro que isso não era fácil. Eu olhava em volta para ver se ninguém estava olhando e tentava entrar no banco, mas surgia alguém do além e se enfiava no meio do caminho para perguntar o que eu ia fazer. Isso me irritava de um jeito.... Cheguei até a dizer que se eu estava tentando entrar no banco é porque eu realmente precisava ir no caixa normal, que eu não abriria mão dos caixas vazios para enfrentar aquela fila gigante lá dentro. O problema é que eu é que era o estranho no ninho. As pessoas realmente deixavam o caixa eletrônico de lado para pegar a fila gigante. Espere um pouco, voltando um pouco no tempo, eu usava caixa eletrônico há no mínimo 4 anos e tinha que me justificar quando ia ao caixa convencional? Deveria ser uma piada, mas não é.
2009 - Abri minha primeira conta pela internet. É verdade que deu mais trabalho do que o meio tradicional, mas foi uma inovação. Na verdade abri três contas pois o sistema dava erro, mas processava, então depois de 3 tentativas que achei ter sido frustradas, desisti da inovação. Depois tive de escolher o número mais simpático e descartar as outras duas.
Infelizmente não faço ideia de quando comecei a usar o Internet Banking, lembro apenas que foi antes de 2009 pois nesse ano fui obrigado a trocar de banco e eu gostava muito do Internet Banking do banco anterior.
Hoje, não há mais café, não há mais guaritas de vigilantes, nem cheques e até as filas estão menores e ainda aguardamos sentados no caso de caixa convencional. Ficou a "fila da ajuda", na maioria das vezes frequentada por pessoas de idade o que indicaria uma extinção natural dessa fila, no entanto, não e tão difícil assim achar gente nova nessas filas, portanto, estou achando que elas durarão para sempre....
Ah, agora tem a porta giratória, com a qual muita gente ainda bronqueia. Acho que as pessoas prefeririam estar em meio a um tiroteio do que ter um pequeno trabalho com guarda de objetos. Uma única vez vi alguém ser barrado e elogiar o vigilante e a porta. O mesmo tirou uma faca do bolso e disse que em nenhum outro banco teve problemas para entrar e ele sempre carrega aquela faca. Como ele mesmo disse, se ele entrava com a faca, bandidos também podem entrar.
Eu particularmente, fico contente de que a minha agência é a que barra as facas. (aliás, quando tenho muitas moedas também, mas e daí?)
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