quarta-feira, 15 de março de 2023

Imprensa medíocre

 Esses dias vi uma matéria com manchete escrita com ironia.

Pelo texto logo percebi que veria besteira, mas a curiosidade foi grande e li matéria.

E a crítica vai não apenas para essa matéria, mas certos meios de comunicação que ingressaram no campo da mediocridade, que estão preocupados em escrever sem qualquer preocupação informativa.

Já não estou nem falando de "tendenciar" uma notícia, que é uma prática de tentar levar o leitor a concordar com a opinião do veículo.  Nesse tipo de matéria há um conteúdo informativo baseado em fatos e com reforços em pontos estratégicos para, como colocado anteriormente, facilitar uma opinião em conformidade com o desejado.

O que estou falando e criticando são matérias escritas de modo a manter a ignorância e a exacerbar opiniões pré-existentes, ou seja, não contribui com absolutamente nada, só serve para ampliar o desconhecimento das pessoas.

Vamos à matéria agora.  Na verdade não vou transcrevê-la, vou fazer um sucinto resumo, até porque nem lembro mais o veículo que a publicou.

A matéria tinha por objetivo culpar o atual governo federal pelo resultado do desmatamento na Amazônia no mês de fevereiro do ano corrente.

Se você está achando que vou defender o atual governo, está muito enganado e precisa rever seus preconceitos, o que eu quero colocar são pontos muito importantes sobre análise de situações.

Em primeiro lugar, nesse ano assumiram novos governantes nas esferas federal e estadual.  Em alguns Estados houve reeleição, em outros não, em alguns houve uma continuidade e em outros não.

Onde houve troca de comando do chefe do executivo, houve troca dos mais diversos cargos, alguns de modo mais rápido e outros de modo mais lento.  Alguns inclusive extremamente lentos, ainda nem foram concluídos.  Aliás, esse tipo de situação não tenho visto ser colocada pela imprensa, talvez eu não tenha procurado direito, mas talvez falte interesse em realmente informar. 

Então, esse é o primeiro ponto.  Temos diversos órgãos, nas mais diversas esferas e que tiveram troca de comando.  Nesse meio, temos um grande número de servidores públicos, que permanecem de um governo para outro.  Desses servidores, alguns possuem um "lado", o que não deveria, mas enfim, possuem.  Outros são isentos, mas todos eles possuem tarefas que executam de modo independente e outras que dependem de chefia.  Nunca vi também isso ser explicado pela imprensa.  A propósito, costumam criticar nas redes sociais a "grande imprensa", mas a minha crítica é para aqueles que ao invés de informarem só fazem confusão e os veículos menores raramente são diferentes dos maiores nesse quesito.

Segundo ponto.  A Amazônia é imensa.  Quem acha que basta ter vontade de implantar algo na Amazônia e os resultados já aparecem de imediato, precisa voltar para a sala de aula e estudar muito.  Esse é um ponto muito importante.  Eu não sei dizer se o governo atual terá ou não uma gestão sobre o desmatamento melhor ou pior que o anterior, mas tenho certeza de que os resultados de fevereiro não medem a eficiência do governo atual.  Eles são muito úteis sim, mas para fins de planejamento.  Aliás, são essenciais.

Terceiro ponto, muito interessante no que diz respeito a "cultura geral".  Houve no início do governo uma preocupação com a questão do garimpo em terras indígenas.  Para quem não sabe, a atividade garimpeira tem um potencial de degradação ambiental muito grande, em especial, no que diz respeito a poluição hídrica.  Em contrapartida, o desmatamento causado por essa atividade é pequena comparada especialmente com o tráfico de madeira ou mesmo a atividade agrícola.  Os principais problemas da mineração são a poluição química e destruição de relevo.  Volto novamente a questão do tamanho da Amazônia, se existe um foco na mineração e os recursos são limitados (sempre foram e sempre serão em qualquer governo), é natural que outras questões fiquem mais descobertas.

Quero convocar quem eventualmente leu isso a avaliar as questões de uma maneira mais racional e menos emocional.  Eu particularmente me preocupo com muitas questões a respeito do atual governo, mas quero distância de críticas com base na imbecilidade.  Essas mesmas pessoas depois querem reclamar de "tendenciamento" dos outros, sem olhar para o próprio rabo.  

E antes que me esqueça, vamos olhar também o que os demais políticos estão fazendo ou deixando de fazer e ainda melhor, entender o papel de cada um.  Pode ser que tenha político fazendo um péssimo trabalho e ninguém percebe.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Política Fundamentalista

Essa postagem é um misto de desabafo com registro histórico. Na minha infância muitas vezes usei a frase "eu disse" onde na verdade eu havia apenas pensado.
Quero evitar incorrer nesse mesmo erro. Por mais "solitário" que esse blog seja, ainda assim, quis escrever, mesmo que seja para si próprio.

Quero registrar a atual situação política de nosso País, onde estamos vivendo um cerceamento da liberdade de pensamento e um fundamentalismo sem precedentes. Sim, oficialmente temos liberdade de expressar, mas na prática, tornou-se impossível qualquer diálogo racional sobre política, especialmente se for para fazer qualquer crítica ao candidato da direita. Se na esquerda sempre tivemos partidos radicais que pregam que a eleição é uma farsa, que só a rebelião resolve e coisas do tipo, mas que nunca encontraram coro significativo para suas ideias, agora chegou a vez da direita usar o mesmo método, numa estranha apropriação de estilo ultrapassado.
Até assassinato em virtude de divergência política entre eleitores já foi registrado.
Em primeiro lugar, nunca encontrei e nunca vou encontrar um candidato que me inspire uma paixão futebolística como essa que aplacou milhares de brasileiros. Sim, a paixão pelo futebol provém das emoções e dispensa análises racionais e isso, mais do que nunca está presente na política atualmente.
O brasileiro que nunca quis discutir e muito menos entender política resolveu da noite para o dia ser detentor da verdade absoluta e irrefutável e quem discorda é um ignorante.
Esse tipo de pensamento já foi muito usado pela esquerda, mas nunca aplacou tanta gente como vemos nos dias atuais. Não é uma situação que beira ao ridículo, é a personificação completa do ridículo.
Desde sempre nunca votei no PT, mas mesmo assim, hoje sou "proibido" de estabelecer qualquer crítica ao candidato Bolsonaro sob pena de ser acusado de ser comunista. Logo eu? Sinto-me coagido e constrangido a apoiar o candidato da direita. Lembra muito a frase dos tempos de ditatura: "Brasil. Ame-o ou deixo-o" e para os fundamentalistas políticos, só existe um jeito de amar o Brasil: "É TÃO RIDÍCULO QUE ME RECUSO A ESCREVER".
Não estou dizendo que vou votar no PT, o que eu digo é que gostaria em primeiro lugar de votar em paz, gostaria de poder usar o cérebro ao falar de política, gostaria de poder discordar e gostaria de dizer que poderíamos ter outros candidatos no segundo turno. Gostaria de poder usar a roupa com a cor que eu quiser, gostaria de não ser hostilizado por não fazer parte dessa histeria coletiva.
Não vou usar verde e amarelo no dia da eleição, não vou colocar uma bandeira do Brasil em volta do pescoço e não vou ficar fazendo propaganda contra ou favor de ninguém.
A democracia e a liberdade estão sendo ofendidas diariamente pelo radicalismo e pela imbecilidade em muitas situações.
O brasileiro não estuda história e volta a repetir os mesmos erros do passado, que é fantasiar heróis salvadores que vão resolver todos os problemas do País. Podemos e devemos achar que um candidato é melhor do que o outro, agora, achar que tudo será resolvido é um tanto quanto infantil. Claro, que muitos eleitores estão conscientes e votarão de modo consciente, acreditando estar fazendo a melhor opção e sem expectativas fantasiosas, mas uma grande massa votará cercada de devaneios e essa massa quer impor sua escolha (não seus pensamentos pois não há racionalidade nessa massa).
Desde que me conheço por gente falo da necessidade de renovar as figuras políticas e quem me conhece sabe o quanto eu insisto que a mudança precisa começar no legislativo. Sempre tentei fazer isso e até hoje só elegi um deputado federal e uma vereadora, neste segundo caso, para sua primeira legislatura e até onde acompanhei, fez um ótimo trabalho. Naquela ocasião, ela foi a única "novidade" na Câmara, mesmo com todo o grupo anterior ter acusações de nepotismo.
Nesse ano, a renovação foi grande, mas infelizmente, não por racionalidade, mas por histeria coletiva, onde boatos ridículos nas redes sociais, total falta de conhecimento do processo político, pressões fundamentalistas, obediência a determinações de candidato ao executivo e outras razões absurdas. O grande fato é que grande parte dos "novos" no legislativo, nem as pessoas que votaram neles sabem quem são.
Eu votei muitas vezes em candidatos pouco conhecidos, mas eu sabia quem eram, pesquisava sobre eles, e muitas vezes era criticado por votar em candidatos sem chance. Agora, por razões que somente a histeria coletiva pode explicar, diversas pessoas de pouca expressão foram eleitas ou quase eleitas e isso é a melhor coisa que poderia acontecer.
Porque não podia ter acontecido antes??? Porque eu era criticado por tentar renovar de modo consciente e agora sou um monstro por criticar a renovação cega?
Sempre tive a opinião de que o voto de legenda deveria ser abolido, justamente porque entendo que as pessoas deveriam saber em quem votam, especialmente nos dias atuais onde buscar informações é tão fácil.
Outro sintoma claro da histeria coletiva é o apoio da população às violações de direitos que ocorrem quando um empresário manda os funcionários apoiarem um candidato e os ameaça de perderem seus empregos. Como alguém pode apoiar algo assim? O brasileiro sempre foi contra coisas do tipo, mas agora aplaudem e transmitem pelas redes sociais como exemplo a ser seguido. As pessoas que fazem isso não conseguem enxergar o que estão fazendo?
Quando recebi um video desses certa vez, achei que se tratava de uma crítica, uma vez que o remetente escreveu apenas "vejam isso", mas depois descobri que era uma exaltação. O pior de tudo é que não estou falando apenas de pessoas pouco esclarecidas, estou falando de pessoas com curso superior e carreira de sucesso. Estamos apoiando o "vale-tudo"? É isso mesmo?
O Supremo Tribunal é ameaçado e tem gente achando isso bonito?
Eu nunca tinha visto candidato que está ganhando criticar pesquisas ou colocar em dúvida o processo eleitoral, mas agora isso acontece. Porque? A vitória tornou-se obrigatória? Deixou de ser uma disputa para ser uma certeza inquestionável?
A imprensa, ao transmitir qualquer matéria é sempre chamada de tendenciosa, aliás, engraçado que escuto isso desde sempre e ela é acusada de tendenciosa sempre que de alguma forma desagrade quem lê ou assiste a matéria.
Vejamos o absurdo a que chega essa necessidade de chamar a midia de tendeciosa: Há muito pouco tempo atrás quando o Lula estava sempre presente nos noticiários, a imprensa era acusada de ser de direita e de perseguir o PT. Hoje, qualquer coisa que apenas "diminua" o brilho de Bolsonaro, a midia é taxada de comunista. Tudo isso só porque uma parcela significativa resolveu "mudar de lado".
Qualquer comentário que se faça que seja minimamente negativa ao candidato da direita é visto como uma elaborado plano comunista. Ah, por favor, vamos aprender a usar a cabeça, já estamos no século XXI.
Qualquer decisão de voto deveria ser tomada com base em ponderações e não em febre de boiada.
Que fique claro que não estou dizendo para votar em X ou Y, não é essa questão. A questão é a irracionalidade presente nas eleições desde que me conheço por gente, o problema é que ao invés de progredirmos nessa área, observa-se uma um regressão, voltando ao início do século passado.
Se porventura alguém ler esse texto, procure não classificá-lo como "tendencioso" pois ele definitivamente não é e classificá-lo como tal pode ser uma sintoma da histeria coletiva, afinal, como disse lá no início, nunca votei no PT e sempre fui contra o PT, mas isso não significa que cegamente vou aceitar tudo que provenha contra o PT, especialmente quando fere o bom-senso, a racionalidade, a democracia e a liberdade de pensamento.
Se eu tivesse mais tempo gostaria realmente de colher informações sobre o que as pessoas esperam que aconteça de concreto, principalmente para observar o percentual de respostas com conteúdo aproveitável e o percentual de conteúdo evasivo, vazio e negativo (por exemplo, acabar com a palhaçada toda, que não diz nada).



domingo, 23 de setembro de 2018

A mediocridade em criticar - pesquisas eleitorais

Hoje tive o desprazer de ver um comentário criticando as pesquisas eleitorais feitas por um amante radical do candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas.
Ele diz que vai no supermercado, no trabalho, na padaria e todo mundo vota do candidato dele e aí diz que p**** de pesquisa é essa?
Quer dizer, não basta estar em primeiro, ele quer que a pesquisa dê 100% ao candidato dele só porque seu círculo de amizades diz que vai votar no candidato dele.
É um perfeito i*****
Temos duas razões muito importante para classificá-lo como tal:
1 - As pessoas podem dizer o que ele quer ouvir. Tem todo o jeito de radicalista e deve andar com a camiseta do candidato para todos os lugares que vai;
2 - Ele pode ter um círculo pouco eclético (e nem sabe o que isso significa )

Olha, por mais que eu não goste de certas respostas, fico muito satisfeito em saber que para encontrar a mesma resposta ao perguntar sobre em quem as pessoas vão votar, normalmente preciso perguntar para várias pessoas.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Política Fácil - Últimas informações

Bom, as eleições estão próximas e hoje vou finalizar o grupo de postagens referentes às eleições 2016.  Neste post vou tratar de algumas questões, colocadas em tópicos.

PESQUISAS
As pesquisas, infelizmente são um grande problema nas eleições, mas não deveriam.  Elas são um problema porque muito gente leva elas em consideração.  As pesquisas deveriam servir para os candidatos e militantes, não para os eleitores, mas muitos votam por influência da pesquisa.  Pessoal, isso não é corrida de cavalos, a ideia é escolher o melhor candidato, não o que tem mais chance de ganhar.
Escolha o seu candidato, esqueça as pesquisas!

VOTO DE REJEIÇÃO
Esse é outro grande problema nas eleições e esse problema muitas vezes acaba sendo responsável pela manutenção dos mesmos grupos.  As pessoas tem medo que X ganhe e para evitar isso votam no seu maior inimigo, que é tão ruim quanto.  Em cidades com a possibilidade de segundo turno, tomar essa atitude é ainda menos inteligente, pois você pode deixar a "rejeição" para depois.
Vamos a um exemplo prático:
Temos como candidatos: Leão, Hiena, Girafa e Hipopótamo, concorrendo ao cargo de "Prefeito" da savana.  O Leão e a Hiena são inimigos mortais.  Muitos eleitores são zebras e já tiveram problemas "particulares" ou com o Leão ou com a Hiena.  Vou colocar os números:
50 eleitores odeiam o Leão;
50 eleitores odeiam a Hiena;
40 eleitores adoram o Leão;
40 eleitores adoram a Hiena;
30 eleitores adoram a Girafa;
20 eleitores adoram o Hipopótamo;
50 eleitores estão indecisos.

A eleição então ocorre com os que "adoram" votando em seus respectivos candidatos.  Dentre os que odeiam alguém, metade votou no rival principal do seu odiado.  Entre os indecisos, 20 votaram branco ou nulo.  Dos outros 30, 20 levaram em conta as pesquisas e 10 votaram no Leão e os outros 10 na Hiena, os outros 10 votaram na Girafa e no Hipopótamo.  Como ficou o resultado?

LEÃO = 100 votos
HIENA = 100 votos
GIRAFA = 35 votos
HIPOPÓTAMO = 25 votos
Brancos e nulos = 20 votos

O LEÃO e a HIENA vão para o segundo turno.  E as zebras, logo elas que eram maioria dos eleitores estarão em grande risco, pois o Leão só é bonzinho no filme da Disney, na vida real ele também come as zebras, tanto quanto a hiena.

Agora, vamos fazer diferente, que seria o correto, desculpem a falta de modéstia.  Os que odeiam alguém votarão em um dos três outros candidatos, sendo 20 para o principal rival, 20 para a Girafa e 10 para o Hipopótamo.  E os indecisos, votarão 10 em cada candidato, exceto o Leão que ganha 11 e 9 branco ou nulo.

LEÃO = 71 votos
HIENA = 70 votos
GIRAFA = 80 votos
HIPOPÓTAMO = 50 votos
Brancos e nulos = 9 votos

Agora, o segundo turno será entre o Leão e a Girafa e todos aqueles que odeiam o Leão podem votar na Girafa, assim como também aqueles que votaram no Hipopótamo, eles não são "perdedores", apenas acreditaram no Hipopótamo e no segundo turno podem continuar não votando nem em Leão nem em Hiena.

COMO ESCOLHER SEU CANDIDATO
Nos dias atuais o acesso à informação é muito fácil.  Use isso!
Coloque o nome do seu possível candidato no Google e dê uma olhada nos resultados que aparecem.  Leia alguns, tomando o cuidado de certificar-se de ser uma fonte confiável.  Você pode achar coisas surpreendentes...
Tem um candidato que eu pesquisei por exemplo, onde ele foi considerado indiscutivelmente culpado por um desvio de verba, no entanto, o crime prescreveu e por isso a justiça não pode condená-lo.  A justiça não pode, mas o eleitor pode e deve fazê-lo.  Se ele já roubou uma vez e principalmente não foi punido, com certeza fará de novo e o que é pior, tomará mais cuidado para não ser descoberto dessa vez.  Para mim como eleitor esse tipo de coisa não prescreve nunca.  Eu nunca votei nesse candidato e agora sei que nunca votarei.
Para vereador, alguns candidatos podem trazer poucos resultados na pesquisa, mas, o fato de não haver nenhuma notícia já é um ponto positivo, talvez seja o caso de dar uma chance a essa pessoa, uma vez que você não tem nada contra ele.  Já fiz isso uma vez e o resultado foi muito satisfatório.  Votei em uma candidata que praticamente não tinha nenhum "histórico" na internet.  Ela acabou ganhando e pesquisando sobre ela depois de eleita encontrei diversas notícias, todas positivas.
Para vereador seja "cruel", se achar coisa errada em um candidato, vote em outro!  Vamos parar de continuar reelegendo quem já sabemos que não funciona!

COMO NÃO ESCOLHER
Não vote simplesmente porque um "figurão" está indicando;
Não vote porque alguém é filho de alguém;
Não vote somente pelo fato do candidato ser famoso;
Não vote porque o candidato mostrou uma família com uma história triste. (histórias tristes existem em todas as cidades do Brasil e vão continuar existindo sempre.  Tem candidato que insiste em explorar a desgraça das pessoas prometendo que tudo será diferente e não explica que isso simplesmente é impossível.  Dá para melhorar muita coisa, mas resolver o problema de todo mundo não existe). 
Não vote em troca de favores (candidatos que trocam favores são justamente aqueles que depois de eleitos farão favores a grupos ou empresas em troca de propina).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Atendimentos automáticos

Hoje tive o desprazer de conversar com dois atendentes automáticos, um por telefone e outro via chat (aliás, chat com robô eu ainda não conhecia).

A primeira foi com a famosa Lú.  Muito simpática e uma agradável voz.  Para quem se sente sozinho e precisa gastar seu tempo é uma boa saída.  Enquanto estamos ansiosos tentando chegar em algum lugar, ela gentilmente joga conversa fora e depois de muita enrolação ela diz "puxa, que pena, não vou poder te ajudar..."  Ela faz até voz de triste.  No fim diz: "Vou ter que transferir você" e do outro lado a gente grita: FINALMENTE!!!

A segunda, do chat foi ainda pior, especialmente porque achei que o chat não teria esse tipo de coisa. A primeira resposta que tive foi para olhar no manual(o que obviamente eu já fiz, imagine se eu seria besta de tentar um atendimento se houvesse resposta no manual).
Depois ele continuou tentando outras coisas, até que finalmente me passou para um atendente, que finalmente respondeu.

Outro ponto interessante é que os dois contatos eram sobre o mesmo assunto, liguei para a loja, falei com uma robô e depois uma pessoa, que por fim, mandou ligar no fabricante.  No fabricante, digitei diversos números(afinal, precisa de identificar até para fazer uma pergunta simples), vários menus e depois falei com uma pessoa, que depois passou para outra pessoa(na verdade já achei estranho porque o assunto estaria mais próximo do primeiro setor e não do segundo setor, mas tudo bem).  Depois de explicar novamente, a pessoa disse que iria verificar e após algum tempo, caiu a linha.  Resolvi tentar o chat então.
Resumo, dois robôs, um menu de atendimento e quatro pessoas, só para responder a uma pergunta simples....

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Política Fácil - Eleições majoritárias

Bom dia.  Vamos agora para as eleições majoritárias.
O que é eleição majoritária?  É aquela para Prefeito, Governador, Presidente e Senador, onde apenas os votos ao candidato é que conta e normalmente temos apenas um eleito.  A exceção fica por conta do Senado onde a cada 8 oito, são eleitos 2 Senadores (são 3 por Estado).  Nessa situação é importante destacar que votamos em 2 Senadores e os dois mais votados é que vencem.

Para as eleições majoritárias existem duas situações:
1 - Municípios com menos de 200 mil eleitores - Não há segundo turno;
2 - Municípios com mais de 200 mil eleitores - Pode haver segundo turno.

Na situação 1, simplesmente o candidato com mais votos, vence a eleição.  Lembrando dos posts anteriores, brancos, nulos e abstenções são simplesmente ignorados.  Não existe exigência de votação mínima.
Vou continuar com os bichos e mostrar na prática (vamos usar números bem pequenos, uma cidade com apenas 100 eleitores):
Cachorro - 20 votos
Jacaré - 19 votos
Coruja - 18 votos
Brancos, nulos e abstenções - 43 votos

O cachorro venceu.  Simples assim.  E os 43 votos?  Perderam-se.

Na situação 2, um candidato precisa ganhar mais de 50% dos votos válidos.  Isso pode ocorrer no primeiro turno e nesse caso não haverá segundo turno.  No segundo turno, considerando que a conta considera somente votos válidos, alguém vai chegar a esse percentual de qualquer modo.
Vamos ao exemplo prático, agora considerando uma cidade com mais de 200 mil eleitores, mas para facilitar as contas vamos usar apenas 100.

SITUAÇÃO 1
Gato - 35 votos
Tartaruga - 20 votos
Canário - 10 votos
Brancos, nulos e abstenções - 35 votos

Nessa situação, o total de votos válidos foi de 65, portanto, o GATO teve 53% dos votos válidos e portanto está eleito.

SITUAÇÃO 2
Agora vamos retirar 10 votos dos brancos, nulos e abstenções, colocando mais 5 para o Canário e incluindo um novo candidato com 5 votos:
Gato - 35 votos
Tartaruga - 20 votos
Canário - 15 votos
Camarão - 5 votos
Brancos, nulos e abstenções - 25 votos

Nessa situação, tivemos um total de 75 votos válidos, assim, o gato obteve 46% dos votos válido e portanto, teremos SEGUNDO TURNO.

Agora vamos usar um trocadilho infame e dizer que o GATO é um GATUNO.  Ao votar nulo, você não protesta nada, apenas facilita a vida do gatuno, que consegue eleger-se mais facilmente.  Temos que lembrar que todos os candidatos possuem apoios incondicionais, alguns mais, outros menos.  O pessoal do partido por exemplo, com raras exceções votará no candidato do partido.  Se as pessoas não afiliadas votarem nulo, ganhará o partido com mais filiados.

Fora isso tem as pessoas alienadas e as pessoas que votam sempre no mesmo.  Sabem que o candidato não é bom, mas é conhecido, então votam nele.

Podemos ilustrar o absurdo disso imaginando que você esteja numa sala fechada e cujas paredes estão se aproximando e logo vão te espremer.  Abrem duas portas, uma com um famoso bandido e outra com um desconhecido, ambas dizem siga-me.  Você vai aonde?
Eu honestamente prefiro o "duvidoso" do que o "errado".



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Política fácil - eleições proporcionais - parte III - votos nulos, brancos, abstenções

Até agora eu não havia falado de votos brancos, nulos e abstenções, mas como "elegemos" os 10 candidatos sem considerar esses votos?
Porque eles efetivamente não fazem diferença no cálculo!  Isso mesmo!  Eles não contam.  Nulos e brancos são exatamente iguais.  Abstenção é quando você não vota, justifica ou simplesmente não vai.  Também tem o mesmo peso.  É tudo igual!  Se não acredita, leia atentamente o Código Eleitoral já citado e verá que é verdade.

O que vou fazer agora é "modificar" na nossa simulação anterior, os votos nulos.  Vamos supor que tínhamos 300 votos nulos e vou distribuí-los aos candidatos e ainda acrescentar 1 partido novo, CRUSTÁCEO e alguns candidatos.  Vou considerar ainda que esses 300 nulos eram de pessoas cansadas dos mesmos e que se recusam a votar nos "de sempre", então esses 300 nulos vou passar para candidatos menores e os novos, ou seja, nada de Vaca, Galinha ou Jacaré.

Segue a nova tabela, mas para ficar menos extenso, diretamente em ordem de votos:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos
08) Coruja - Ave - 65 votos
09) Canário - Ave - 60 votos
10) Cobra - Réptil - 55 votos
11) Bagre - Peixe - 50 votos
12) Salamandra - Réptil - 42 votos
13) Formiga - Inseto - 41 votos
14) Lambari - Peixe - 39 votos
15) Lagarto - Réptil - 38 votos
16) Cachorro - Mamífero - 30 votos
17) Pardal - Ave - 29 votos
18) Ornitorrinco - Mamífero - 27 votos
19) Camarão - Crustáceo - 26 votos
20) Burro - Mamífero - 25 votos
21) Mosca - Inseto - 13 votos
22) Salmão - Peixe - 12 votos

Nesse novo cenário, o resultado ficou da seguinte maneira:
Na primeira etapa, ao invés de 8 agora temos apenas 7, ou seja, já percebemos que ficou mais DIFÍCIL, entrar.  Vamos à lista:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos

As 3 vagas que sobraram acabaram ficando 1 para AVE, depois 1 MAMÍFERO e novamente 1 AVE, ficando assim:
01) Vaca - Mamífero - 195 votos
02) Galinha - Ave - 110 votos
03) Jacaré - Réptil - 100 votos
04) Arara - Ave - 95 votos
05) Abelha - Inseto - 90 votos
06) Tartaruga - Réptil - 83 votos
07) Gato - Mamífero - 75 votos
08) Coruja - Ave - 65 votos
09) Canário - Ave - 60 votos
16) Cachorro - Mamífero - 30 votos

Observem que o "efeito VACA" foi menor, só o cachorro entrou e olha que o Burro ganhou mais votos do que na simulação anterior, mas com menos nulos, a quantidade necessária para eleger-se aumentou.  Ficamos com um resultado mais "justo".
Desculpem o trocadilho, mas a VACA ganha votos pelo efeito manada e pelo efeito "tradição", quer dizer, todo mundo conhece a vaca e na dúvida vota nela.  Infelizmente isso acontece muito.  
Se as pessoas que querem mudanças começarem a votar nulo cada vez em maior quantidade, não teremos uma sinalização de protesto e sim a facilitação do continuísmo.  Vamos imaginar uma campanha de votos nulos crescendo nas redes sociais.  O partido MAMÍFERO observa isso e fica preocupado?  De modo algum, ele percebe que precisa lançar mais um candidato.  Estranho? Não, matemático! Para ficar bem claro, ele vai lançar o Morcego, que é mamífero e alguns chupam sangue(escolhi de propósito).
Nessa nova simulação vou voltar esses 300 nulos e anular mais 300, ou seja, ficaremos apenas com 700 votos válidos e a inclusão do morcego.  Esses 600 votos que tenho que tirar vou retirar mais ou menos equitativamente de todos os candidatos, mas em menor escala dos tradicionais.
Vamos ao resultado:
Class Nome Partido Votos
01) Vaca Mamífero 146
02) Galinha Ave 58
03) Jacaré Réptil 53
04) Arara Ave 41
05) Abelha Inseto 40
06) Tartaruga Réptil 39
07) Gato Mamífero 38
08) Coruja Ave 36
09) Canário Ave 31
10) Cobra Réptil 27
11) Bagre Peixe 26
12) Salamandra Réptil 22
13) Formiga Inseto 18
14) Lambari Peixe 17
15) Lagarto Réptil 16
16) Cachorro Mamífero 15
17) Pardal Ave 14
18) Ornitorrinco Mamífero 13
19) Camarão Crustáceo 12
20) Burro Mamífero 11
21) Mosca Inseto 10
22) Morcego Mamífero 10
23) Salmão Peixe 7

Pois bem.  As vagas inicialmente ficaram da seguinte forma: 3 MAMÍFERO, 2 AVE e 2 RÉPTIL.  Acabou também ficando em 7 o que pode parecer que também tornou mais "difícil" como quando diminuímos os nulos, mas a questão aqui foi outro efeito, bem negativo:  O partido INSETO ficou sem vaga.  Isso mesmo, a abelha, 5ª colocada está de fora.  Lembro que nossos dois candidatos que consideramos como sendo os melhores eram a Abelha e a Coruja.  A abelha foi eliminada!  Se apenas 3 pessoas daquelas 600 que votaram nulo tivessem votado na Abelha, ela entraria.
Vamos à tabela então:
01) Vaca - Mamífero - 146 votos
02) Galinha - Ave - 58 votos
03) Jacaré - Réptil - 53 votos
04) Arara - Ave - 41 votos
06) Tartaruga - Réptil - 39 votos
07) Gato - Mamífero - 38 votos
08) Coruja - Ave - 36 votos

E as remanescentes ficaram primeiramente mais uma para AVE, outra para MAMÍFERO e por fim a última para RÉPTIL.  O resultado final então foi:
01) Vaca - Mamífero - 146 votos
02) Galinha - Ave - 58 votos
03) Jacaré - Réptil - 53 votos
04) Arara - Ave - 41 votos
06) Tartaruga - Réptil - 39 votos
07) Gato - Mamífero - 38 votos
08) Coruja - Ave - 36 votos
09) Canário - Ave - 31 votos
16) Cachorro - Mamífero - 15 votos
10) Cobra - Réptil - 27 votos

No fim das contas, o morcego não entrou, nem o burro, mas percebem que tivemos um candidato eleito com apenas 15 votos?  Isso representa apenas 1,15% do eleitorado.  Na simulação anterior, ele tinha o dobro!
Agora pergunto: Valeu a pena anular?  Deixar a abelha de fora e os MAMÍFEROS continuarem a dominar ao lado das AVES?  Não teria sido talvez mais interessante votar em um CRUSTÁCEO ou num PEIXE ou melhor ainda, porque não na Abelha??
Quero apresentar o resumo da composição e depois comparar como seria se abelha tivesse ganho 3 votos a mais:
AVE - 4 cadeiras
MAMÍFERO - 3 cadeiras
RÉPTIL - 3 cadeiras

Transferindo 3 nulos para a abelha, os INSETOS fariam o índice mínimo para serem elegíveis, com isso a Abelha assumiria e eliminaríamos a Cobra.  A distribuição dos partidos ficaria:
AVE - 4 cadeiras
INSETO - 1 cadeira
MAMÍFERO - 3 cadeiras
RÉPTIL - 2 cadeiras