Acabo de ver algumas matérias sobre o impeachment, mas não vou nem defender nem condenar a Dilma.
Qualquer coisa que eu escrevesse condenando ou defendendo cairia no senso-comum, ou seja, já foi escrito por alguém e todo mundo sabe.
Aliás, sempre tem gente falando bobagem, mas muitos discursos que ouvi, tanto pró como contra foram interessantes e poderia até dar razão a todos eles, o que poderia parecer contraditório, mas não é, porém, não é sobre isso que quero escrever.
Quero fazer um apontamento diferente, que acho que ninguém fez. Não é para resolver nada para agora, mas para pensar no futuro, especialmente no nosso modelo de Senado.
Roraima que me perdoe, nada tenho contra eles, mas por razões que a Matemática explica, será o Estado a ser usado como exemplo e argumento.
Bem, eu sempre soube que Roraima era um Estado com baixa densidade demográfica, mas nunca havia prestado atenção o quão pequena é sua população absoluta. A população de Roraima é menor do que a cidade onde vivo! E olhe que há centenas de cidades maiores espalhadas pelo País.
E isso me fez pensar, em virtude principalmente do impeachment, mas serve para todo o resto.
Vamos aos números: Roraima contribuiu com 0,25% na hora de eleger a Presidente, mas agora contribuirá com 3,7% na hora de destituir. Isso está constitucionalmente correto, mas será que esse modelo é realmente o melhor? Quero dizer, a influência do Estado ficou 15 vezes maior agora do que há 2 anos atrás.
Se alguém porventura não sabe, mas o Senado representa equitativamente os Estados dentro da Federação, mas será que essa equidade é o melhor caminho?
Falo dessa questão de representatividade como alguém que já morou em cidade com 2.500 habitantes na época (hoje está com algo em torno de 5.000) e cidade com mais de 1 milhão e meio de habitantes e todas elas tiveram e têm seus valores. Eu não conseguiria imaginar por exemplo, caso houvesse uma casa parlamentar Estadual nos moldes do Senado, o que faria um parlamentar da cidade de 2.500 habitantes, quero dizer, claro que ele "defenderia" a sua cidade, mas não faria sentido algum, principalmente do ponto de vista econômico.
Novamente nada contra as pessoas de determinada região, mas na mesma linha de pensamento, sempre achei a cidade que morei em 1987 minúscula para um município, mas vejo nos dias atuais cidades com menos de 1000 habitantes. Isso é mesmo necessário, produtivo e coerente? Em regiões afastadas e remotas, talvez até sim, mas no Estado de São Paulo? Entre as 19 menores aparecem três cidades do Estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, mais duas de Santa Catarina, três do Rio Grande do Sul e ainda uma do Paraná. Isso é viável???
Sabiam que existem diversos projetos para a criação de novos Estados? Serão Estados ainda menores? Claro, existem situações e situações. Tocantins por exemplo, nosso Estado mais novo tem o triplo da população de Roraima, o dobro do Acre e do Amapá. Agora vou mais longe, será que o nosso menor Estado não deveria ser o Tocantins? Economizaríamos nove Senadores...
Por hoje é só.