quarta-feira, 1 de julho de 2015

Redução da maioridade penal

Tenho visto muitas matérias na TV a respeito da redução da maioridade penal e tenho visto muita confusão a respeito disso.
O que mais me chama a atenção é a falta de objetividade na discussão.  As pessoas tem tomado lados e encarado o assunto como se fosse uma partida de futebol, tanto que até briga tem ocorrido por conta disso.
É preciso que o assunto seja tratado no campo da racionalidade, não do emocional e muito menos jogar questões de "esquerda" e "direita" na discussão.  Isso não tem nada de "esquerdo" ou "direito".  É uma questão muito séria e que tem que ser tratada com seriedade.
Hoje tive a oportunidade de ler uma matéria na revista Veja da semana passada, tratando do assunto.  Muito boa a matéria.  Não chega a esgotar o caso, mas os pontos tratados foram colocados com bastante responsabilidade, aliás, foi citado o livro Freaknomics que é um livro simplesmente fantástico.
Hoje não quero me estender e não vou fazer posicionamentos a respeito, mas quero registrar que sem dúvida alguma, mudanças precisam ser feitas e minha maior preocupação com o caso é que o excesso de bobagem e de distorções acabe prejudicando a análise racional da situação.
A propósito, na revista foi citado que o ECA foi extremamente bem recebida na época por conta de ser uma "libertação" da ditadura.  Quero escrever mais sobre isso em outro momento, mas já adianto que é preciso que nós nos libertemos da ditadura.  Essa libertação significa parar de ter aversão a tudo que lembra a ditadura.  Já faz mais de 20 anos que ela acabou!  Foi um período complicado, sim, foi, mas não significa que absolutamente tudo estava errado.  Ontem mesmo a Presidente invocou a ditadura ao falar das delações, colocando a pessoa na categoria dos traidores e a justiça na categoria dos interrogadores cruéis.

Um comentário:

  1. Faço o comentário como continuação do texto. Escuto muito ser falado a respeito das crianças não serem punidas, chamadas a atenção, para não traumatizá-las. A explicação para isso é de que são apenas crianças. Certo, então quer dizer que os adultos não podem sob qualquer circunstância ser enérgico com as crianças para não causar traumas. Na qualidade de alguém que com 9 anos sofreu duas tentativas de assalto por moleques de idade semelhante, questiono porque, com 9 anos eu posso ser assaltado por bandidinhos armados e meu "trauma" não é relevante, já com relação aos assaltantes, temos que preservá-los, afinal são apenas crianças, vítimas das circunstâncias e etc..
    Acredito que quem defenda a total "preservação" dessas crianças é porque nunca foi assaltado por "crianças" como eu fui. (aliás, desculpe, não cheguei a ser assaltado porque consegui fugir nas duas circunstâncias, mas posso garantir que correr 700 metros na mais alta velocidade que uma criança de 9 anos pode correr e ainda pular um portão de cerca de 1 metro de altura para parar de correr somente dentro da garagem de casa é bastante traumatizante e cansativo, ou na outra ocasião, correr 600 metros com direito a travessia de diversas ruas movimentadas no Centro de Florianópolis e só parar dentro do ônibus, que por sorte já havia encostado, também não é muito agradável). Mas tem gente que acha que os coitados são os assaltantes...

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